Ilustração cómica estilo cartoon, onde o Sr. Marcliado testa uma nova formula picante e tenta solucionar o ardor com água.

"Beber Água Tira o Ardor do Picante?" — E Outros Mitos Que te Podem Custar a Dignidade

Há quem diga que o picante não é para todos. Mas há também quem ache que beber água depois de uma dentada ardente é uma boa ideia. Se és dos que acredita nisso, este artigo é para ti. Vamos desmontar, sem dó nem piedade, os mitos mais ridículos que circulam à volta do picante. Prepara-te: o conhecimento pode não te salvar da próxima garfada, mas pelo menos vais saber porque estás a sofrer.

Mito 1: "Beber água resolve o problema do picante."

Esta é, provavelmente, a maior armadilha para totós que enfrentam picante pela primeira vez. Água? Achas mesmo? A capsaicina, o composto responsável pelo ardor infernal, é hidrofóbica, ou seja, não se mistura com água. Quando bebes um copo de água, a única coisa que consegues é espalhar a maldade ardente pela boca inteira. O resultado? Passas de um incêndio localizado na ponta da língua para um inferno generalizado na cavidade oral.

Solução Malcriada: Leite. O leite contém caseína, uma proteína que "agarrra" a capsaicina e a afasta dos recetores nervosos. Não tens leite à mão? Boa sorte.

Mito 2: "Pão ajuda a aliviar o picante."

Ah, o velho conselho do pão. Parece uma ideia genial: mastigas algo sólido, e o ardor desaparece. Pois… não. O pão funciona mais como placebo emocional. O que estás a fazer, na realidade, é distrair-te enquanto esfregas os pedaços de malagueta pelos cantos da boca. Quando dás por ti, tens migalhas nos dentes e lágrimas nos olhos.

Solução Malcriada: Açúcar. A doçura pode ajudar a neutralizar ligeiramente a sensação de ardor. E, claro, o leite. Já mencionámos o leite, certo?

Mito 3: "O picante queima a boca."

Queimar, queimar… não queima. O que sentes não é uma queimadura real, mas sim uma reação química. A capsaicina liga-se a recetores que normalmente respondem ao calor físico, como aquele ferro quente que tocaste quando eras criança (porque te disseram para não o fazeres). O cérebro, sendo o simpático que é, regista aquilo como dor térmica, mesmo que a temperatura da malagueta seja a de um tomate fresco.

Solução Malcriada: Aceita a dor. O picante é um desporto de resistência.

Mito 4: "Comer picante regularmente torna-te imune."

Vamos esclarecer isto: não há imunidade ao picante. O que há é habituação. Se começares com um molho suave e fores aumentando a intensidade, os teus recetores tornam-se menos sensíveis com o tempo. Mas, spoiler: o Malcriado não quer saber dessa tua coragem de principiante. Se não tiveres preparação vais chorar na mesma.

Solução Malcriada: Continua a tentar. Quem sabe um dia sobrevives uma colherada de Malcriado sem gritar pela mãe.

Conclusão

O picante não é para bebés nem para quem acredita em mitos. Da próxima vez que alguém disser "bebe água" ou "come pão", respira fundo, sorri e passa-lhes o frasco de Malcriado. Depois, senta-te e aprecia o espetáculo.

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